História

VILA COVA DE ALVA

A freguesia de Vila Cova de Alva do concelho e comarca de Arganil, no distrito de Coimbra, dista cerca de 20 quilómetros da sede concelhia, e está situada na margem esquerda do rio Alva. O orago da freguesia é Nossa Senhora a Natividade.

O povoamento da freguesia pode considerar-se anterior ao século XII, não só pela arqueologia da região, como pelos castros e outros vestígios primitivos; da época romana, é memória uma ponte sobre o rio Alva, denominada “3 arcos”.

O topónimo “Vila Cova” faz supor que numa época pré-Nacional, ali existiram “villas” rústicas ou agrárias; o termo “cova” do topónimo, significa de facto, o território no aspecto topográfico, isto é, uma depressão à margem do Alva.

Abundavam na área da actual freguesia de Vila Cova de Alva as ermidas e capelas tanto particulares como públicas, e chegou mesmo a existir um mosteiro de frades antoninos ou capuchos, fundado em 1712, pelo desembargador Luís da Costa Faria, que contribuiu com uma elevada quantia para a reedificação da igreja matriz, onde instituiu uma irmandade das Almas; a matriz foi muito alterada pelas diversas restaurações que sofreu e o mosteiro foi extinto em 1834, sendo a sua igreja cedida à Misericórdia local pelo governo; todas estas e outras instituições revelam que se tratava de uma freguesia importante na altura.

O repovoamento do território desta freguesia terá sido simultâneo ao de Coja e Avô; em 1128, é feito couto para o Castelo de Coja, por carta do Infante D. Afonso Henriques, no entanto os limites deste couto não permitem distinguir se pertencia a Avô ou a Coja, apesar de nesta altura a actual freguesia se denominar “Vila Cova de Sub-Avô”, o que porém não significava qualquer sujeição. Vila cova Tornou-se uma possessão dos bispos de Coimbra, logo no início da Nacionalidade, recebendo destes um foral no século XIII que terá sido confirmado por D. Manuel I, por Foral Novo, a 12 de Setembro de 1514. Do século XVII para o XVIII, ainda eram donatários do concelho de Vila Cova de Sub-Avô, os bispos de Coimbra, e a paróquia era da apresentação da mitra.  O concelho foi extinto em 1836 e a freguesia anexada ao concelho de Coja que foi também suprimido a 31 de Dezembro de 1853. Pela lei n.º 1639 de 25 de Julho de 1924, a freguesia deixou de denominar-se Vila cova de Sub-Avô para se designar Vila Cova de Alva.

Para recordar o extinto concelho, mantêm-se as Casas da Cadeia e a da Câmara, que foram vendidas a particulares, e o Pelourinho, de estilo Manuelino; para além destes, existem outros locais de interesse turístico, como é o caso da Zona histórica, o Lugar da Fonte dos Passarinhos, a praia fluvial e a ponte dos “3 Arcos” que liga as duas margens do Alva construída no século XVIII, em granito. Também de realçar são as casas senhoriais de construção quinhentista e de grande beleza estética e arquitectónica.

No aspecto económico, as actividades são múltiplas, sendo as mais relevantes, a agricultura, a pecuária, a transformação de madeiras e a construção civil; parte do aglomerado populacional dedica-se à manufactura de cestaria em madeira, rendas e bordados em linho. A gastronomia apresenta o bucho recheado, a chanfana e as tigeladas como pratos típicos da freguesia.

 

ANCERIZ

Freguesia do concelho de Arganil, no distrito de Coimbra. Anceriz dista da sede concelhia aproximadamente 20 quilómetros; o seu orago é S. Bento.

Situada no sopé da Serra do Açor e banhada pelas águas do rio Alva, a freguesia de Anceriz encontra-se cercada de pinhais, de olivais e de uma vasta zona de eucaliptos, sendo por isso denominada pelos seus habitantes de “o solar beirão”.

“Anceriz” ou “Anseriz” é um topónimo de origem gótica, cuja existência já era frequente no tempo do domínio romano; destes últimos, manifestam-se alguns vestígios na freguesia, como uma calçada já muito destruída, mas ainda bem visível nos terrenos da vizinha freguesia de Avô. Embora a povoação utilize o topónimo “Anseriz”, o certo é que o registo da freguesia foi realizado com a grafia “Anceriz”, levantando-se ainda hoje algumas dúvidas acerca da sua grafia correcta, no entanto, o registo oficial é “Anceriz”, pelo que é esta a designação legal e oficial da freguesia.

Anceriz foi um lugar do termo do Castelo de Avô e como tal, pertenceu à paróquia de Santa Maria de Avô. Segundo as Inquirições de 1258, Avô era foreira de jugada e pertencia à coroa, rendendo cerca de 100 móios; posteriormente, Avô passou para a posse dos bispos de Coimbra. Pelas já referidas Inquirições, é de notar que Avô e por arrasto Anceriz, era então dividida entre a coroa e a Sé de Coimbra desde os inícios da Nacionalidade, sendo mesmo considerada “terra dos bispos de Coimbra”, embora as leis no concelho de Avô fossem impostas pelo rei. Posteriormente, o concelho foi extinto por Decreto de 24 de Outubro de 1855, sendo as suas freguesias divididas entre os concelhos de Arganil, como é o caso de Anceriz, e o de Oliveira do Hospital.

Tal como nos aspectos eclesiásticos e administrativo, Anceriz foi senhorialmente dependente das vicissitudes de Avô, pois quando D. Afonso Henriques estava nas conquistas das terras aos muçulmanos, D. Egas Moniz e seu neto, Pedro Afonso Viegas, viram-se obrigados a lutar contra os que invadiam aquelas terras. Perante as dificuldades em vencer o inimigo, D. Egas Moniz, talvez numa tentativa de incentivo à vitória, havia prometido a seu neto que se dali saíssem vitoriosos, as terras em causa seriam dele e da sua futura esposa D. Urraca Afonso, filha bastarda de D. Afonso Henriques. Com efeito, uma das primeiras referências ao nome da povoação de Anceriz é feita na doação da vila de Avô a Pedro Afonso Viegas e sua esposa D. Urraca Afonso, em Janeiro de 1185.

Do património cultural e edificado desta freguesia destacam-se a Igreja Paroquial, a capela de Santo António e o Cruzeiro de Clarigo; o lugar de Queijel destaca-se pelo seu interesse turístico.

No aspecto económico, os habitantes da freguesia de Anceriz dedicam-se essencialmente à actividade agrícola, mas também à pecuária, à extracção de resina e de à uns anos para cá, à construção civil, não sendo por isso uma actividade com tradição no local.

 

UNIÃO DE FREGUESIAS DE VILA COVA DE ALVA E ANCERIZ

A reorganização administrativa do território das freguesias, determinada pela Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, criou por agregação a “União de Freguesias de Vila Cova de Alva e Anceriz”, com sede em Vila Cova de Alva.

Fazem parte desta freguesia as localidades de Anceriz, Casal de São João, Vila Cova de Alva e Vinhó.